O escritório regional da FAO para a América Latina e Caribe, divulgou nesta segunda-feira (27/01), o relatório “Visão Geral Regional de Segurança Alimentar e Nutrição 2024”. No documento, a entidade ligada a Organização das Nações Unidas (ONU), associa os desafios da nutrição em meio à variabilidade climática nestas regiões.
“As mudanças climáticas e eventos extremos ameaçam a estabilidade da segurança alimentar e nutricional “, destaca o diretor geral adjunto da FAO para a América Latina e Caribe, Mario Lubetkin.
O diretor também enfatizou a necessidade de uma resposta mais eficaz, com políticas e ações que fortaleçam os sistemas agroalimentares para que possamos prevenir, adaptar e transformar esses desafios de forma positiva.
O relatório também fala sobre a desnutrição, revelando que em 2022, o nanismo afetou 22,3% das crianças menores de cinco anos no mundo. Na América Latina e Caribe, a taxa foi de 11,5%, muito abaixo da média global. Apesar dos avanços desde os anos 2000, o progresso desacelerou nos últimos anos.
“Uma em cada dez crianças menores de cinco anos vive com nanismo na região. A subnutrição e o sobrepeso convivem juntas, agravadas pela vulnerabilidade das comunidades a eventos climáticos. Isso prejudica o desenvolvimento das crianças”, disse Karin Hulshof, do UNICEF. Ela também destacou que as decisões sobre mudanças climáticas devem garantir o direito à alimentação e nutrição para crianças e famílias.
Em 2022, 5,6% das crianças menores de cinco anos no mundo estavam acima do peso, mas na América Latina e no Caribe esse número foi de 8,6%. A prevalência da obesidade na região aumentou mais rapidamente que a média global, com a América do Sul liderando esse aumento. Por outro lado, a Mesoamérica e o Caribe mostraram mais estabilidade. Outro ponto importante é o acesso a dietas saudáveis, que ainda é um desafio. Em 2022, 182,9 milhões de pessoas na América Latina e Caribe não podiam pagar por uma alimentação saudável. No entanto, houve uma leve melhoria em relação a 2021, com 14,3 milhões de pessoas a mais conseguindo acessar uma alimentação saudável.
O sobrepeso e a obesidade estão crescendo na região e são fatores de risco para doenças não transmissíveis. Jarbas Barbosa, da OPAS, ressaltou a importância de políticas públicas como impostos e regulamentações para promover uma alimentação saudável. As desigualdades no acesso a dietas saudáveis também são grandes. No Caribe, metade da população não podia pagar por uma alimentação saudável, enquanto na América do Sul esse número foi de 26%. Isso mostra a necessidade de focar nas populações mais vulneráveis.
“Os choques climáticos dificultam cada vez mais o acesso da população a alimentos”, afirmou Lola Castro, do WFP. Ela explicou que tempestades e inundações destroem casas e plantações, e que, à medida que os eventos climáticos extremos aumentam, o WFP trabalha com comunidades e governos para melhorar a segurança alimentar e criar sistemas alimentares resilientes. As agências destacaram a urgência de acelerar os investimentos e ações para lidar com as mudanças climáticas e seus impactos.
Rossana Polastri, do FIDA, enfatizou a necessidade de adaptação dos sistemas alimentares às mudanças climáticas e a importância de investir em áreas rurais, garantindo acesso a infraestrutura, práticas agrícolas sustentáveis e apoio a pequenos produtores e grupos vulneráveis.
O Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutricional de 2024 é uma colaboração entre FAO, FIDA, OPAS, PMA e UNICEF