Fato ou fake: desmatamento gera riqueza para o Brasil

26/10/2020 às 14:32
por Redação

Atualizado 28/10/2020 às 11:50

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Série de argumentos desvenda mitos e verdades sobre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.

Texto por Thaisa Pimpão, Angélica Queiroz e Cínthia Leone

 

Você provavelmente já deve ter ouvido por aí que a única forma viável de recuperar a economia e gerar riqueza e mais empregos para os brasileiros é desmatando novas áreas de florestas para dedicá-las à produção agropecuária. Mas você sabe se isso é fato ou fake? O que dizem os especialistas?


Que o Brasil é considerado um “celeiro do mundo” por figurar na lista dos países que mais produzem grãos não é novidade para ninguém. Açúcar, proteína animal e biocombustíveis de origem agrícola também se destacam. Entre janeiro e setembro de 2020 as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 77,89 bilhões, o que representou crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período em 2019, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).


Apesar do crescimento, mesmo em meio à recessão econômica ocasionada pela pandemia, o Brasil ainda enfrenta diversos desafios como altos índices de desemprego e pobreza. E, agora, você deve estar se perguntando: como gerar riqueza para superar os desafios socioeconômicos e ainda garantir a preservação do meio ambiente? Veja abaixo no Fato ou Fake.

 

FAKE: É preciso desmatar para se desenvolver 

O Brasil pode lucrar muito mais com a floresta em pé do que com o desmatamento. Para isso, é preciso modernizar a agricultura tornando-a mais produtiva nas áreas já desmatadas.


Uma prova disso é que o Brasil foi o país que mais perdeu floresta na última década, mas o PIB da região em relação ao restante do país manteve-se baixo e estável (cerca de 8% do total nacional). Além disso, mesmo com o avanço sobre a mata, os rendimentos nos estados amazônicos continuam em média 20% menores do que a renda média nacional, mostrando que a destruição da floresta não é capaz de gerar riqueza.


Investir em agricultura verticalizada, cultura em  camadas, em estufas e ambientes internos controlados, inclusive nos centros urbanos, também é um jeito de produzir mais sem desmatar. Especialistas na técnica afirmam que é possível produzir até 10 ou 20 vezes utilizando a  mesma área.

 

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Fonte: iStock

 

FATO: É possível produzir mais nas áreas que já foram desmatadas

Com as técnicas de manejo adequadas, é possível produzir mais que o dobro na maior parte das áreas já desmatadas do Brasil e a tecnologia é uma grande aliada dos produtores nesse processo. 


Para fazer isso, no entanto, são necessários investimentos na recuperação de pastagens e áreas improdutivas. Isso exige modernização dos processos e planejamento de longo prazo. 

 

FATO: Ilegalidade favorece o desmatamento

A ilegalidade favorece as velhas práticas de agricultura e pecuária no país, já que é mais fácil ocupar outra área ao invés de investir para recuperar uma terra já muito desgastada. Por isso, a ocupação de terras públicas precisa ser combatida. É o que a campanha Seja Legal com a Amazônia tem feito.

 

FAKE: São pequenos agricultores que colocam fogo na Amazônia

Diferente de uma afirmação equivocada que veio à tona durante o pico dos incêndios no Pantanal e na Amazônia, os pequenos produtores rurais não são os responsáveis por atear fogo na vegetação.


O projeto Cortina de Fumaça, parceria da Ambiental Media com o Pulitzer Center, concluiu que propriedades rurais de médio e grande porte responderam por 72% dos focos de calor ocorridos em 2019 nos quatro maiores ‘hotspots’ (áreas críticas) da Amazônia. O trabalho cruzou dados oficiais públicos de desmatamento e queimadas, monitorados pelo Inpe, com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que reúne declarações de proprietários rurais sobre a área de seus imóveis.


Outro dado que corrobora a informação vem do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam). Em 2019, dos 31% de focos de calor registrados em imóveis rurais (o restante se distribuiu por outras categorias fundiárias), 22% estavam naqueles considerados médios ou grandes (maiores do que 440 hectares), enquanto 9% aconteceram em pequenos (menores do que 440 hectares). Já no primeiro semestre de 2020, os imóveis de médio e grande portes registraram sozinhos a metade do número de focos de calor na Amazônia.


Além disso, no fim do mês passado, os incêndios que devastaram mais de 25 mil hectares do Pantanal começaram em quatro fazendas de grande porte em Corumbá (MS), segundo investigação da Polícia Federal (PF). A suspeita é que produtores rurais tenham colocado fogo na vegetação para transformação em área de pastagem.

 

FATO: A floresta em pé gera riquezas

Uma recente pesquisa divulgada pelo cientista Carlos Nobre, especializado em mudanças climáticas e PhD em meteorologia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), demonstrou que a produção sustentável de açaí, cacau e castanha juntos é mais rentável e demanda menos exploração na Amazônia do que a produção de soja e pecuária.


Segundo o pesquisador, enquanto a pecuária e a soja demandam 240 mil quilômetros quadrados para gerar R$ 604 por hectare ao ano, os três alimentos amazônicos demandam 3.550 quilômetros quadrados em sistemas agroflorestais e resultam em R$ 12,4 mil por hectare ao ano.


Para isso, a ciência defende o conceito de bioeconomia, que é a promoção de sistemas de produção baseados no uso e na conservação dos recursos biológicos da floresta em pé. 

 

O sistema de manejo agroflorestal é a saída para o que os especialistas chamam de “ponto de não retorno” da Amazônia, ou seja, o estágio mais avançado de exploração indevida que pode resultar na “savanização” do bioma, uma transformação que irá comprometer definitivamente a vegetação local.

 

 

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