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Desnaturalizar os desastres naturais para evitá-los 

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Foto: área atingida pelo rompimento da barragem de mineradora em Brumadinho (MG)/Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas

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Foto: área atingida pelo rompimento da barragem de mineradora em Brumadinho (MG)/Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas

 

Pesquisadores propõem ampliar conceito de ‘desastre natural’ e incluir impacto de grandes projetos e causas sociais que intensificam fenômenos naturais


Em um mundo aquecido e com Clima cada vez mais instável, os desastres naturais são tema cada vez mais frequente no debate público. O conceito de desastre natural é usado para descrever eventos extremos - climatológicos, meteorológicos, hidrológicos ou geofísicos - que causam dano ou destruição, e são “naturais” mesmo quando estão envolvidos em processos sociais. 


Os pesquisadores do campo das ciências sociais estão propondo modificações desta definição. De um lado, querem incluir neste conceito ações humanas que geram impactos semelhantes aos de grandes ciclones, inundações e deslizamentos. Entre eles estariam megaprojetos de infraestrutura, grandes empreendimentos de monocultura ou de extrativismo, como a mineração, que podem desfigurar por completo as paisagens e impactar severamente seres humanos, fauna e flora. 


Por outro lado, esses mesmos cientistas querem evitar a normalização dos impactos de eventos extremos sobre a população quando ela já está sujeita a um estado de exceção ou de vulnerabilidade permanente. Eles querem “desnaturalizar os desastres” para levar em conta o conjunto dos processos que estão na origem, no desenrolar e nos efeitos de um evento extremo, incluindo a organização social e econômica de um território e o papel das instituições. 


Esta discussão está sendo encabeçada no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz, que organizou este mês a segunda edição de um seminário internacional com este tema. Um dos assuntos abordados é como a imprensa lida com os desastres naturais e como ela poderia ajudar a “desnaturalizar” esses eventos -- por exemplo, informando sobre atribuições de responsabilidades ou acentuando o caráter humanista nas ações de resposta aos desastres. 

 

“As mudanças climáticas já são uma realidade. O último relatório do IPCC, lançado em agosto de 2021, reafirmou o diagnóstico de que se mantivermos o atual ritmo de crescimento e desenvolvimento econômico ultrapassaremos a meta de 1,5°C de aumento global em relação aos níveis pré-industriais”, afirmam os organizadores de uma das mesas do encontro, intitulada “Quem são os mais atingidos pelas mudanças climáticas?”.


“Apesar de atingir de algum modo a todos e todas, as consequências das mudanças climáticas não são justas e recaem de forma desproporcional em grupos vulnerabilizados, principalmente populações das periferias urbanas, povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos agricultores”, completam. Em outra mesa, o evento propõe entender a Mudança Climática em si mesma como um desastre. 


O evento contou com exposições de lideranças comunitárias, escritores da área acadêmica e de fora dela, profissionais de saúde que atendem populações impactadas por grandes desastres, antropólogos, sociólogos e juristas, além de ativistas ambientais e dos direitos humanos. Para assistir aos debates, acesse: II Seminário Internacional de desnaturalização dos desastres e mobilização comunitária: crises ampliadas, redes e resistências

 

 

 

 

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