Razões climáticas podem explicar nuvem de gafanhotos

25/06/2020 às 22:38
por Redação

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Gatilho biológico foi provocado por períodos de secas intensas e prolongadas seguidos de chuvas fortes e altas temperaturas.

O chamado ‘comportamento gregário’ é um gatilho biológico deflagrado por períodos de secas intensas e prolongadas seguidos de chuvas fortes e altas temperaturas

 

A nuvem de gafanhotos que se movimenta em direção ao Brasil causa preocupação na Região Sul do país. O Ministério da Agricultura declarou estado de emergência fitossanitária em áreas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estados que podem ser afetados pelos insetos.

 

Segundo André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, distúrbios climáticos provocados pelo aquecimento global e o desrespeito aos limites da natureza têm causado fenômenos disruptivos, que vão desde a nuvem de gafanhotos até eventos mais rigorosos, como a pandemia do novo coronavírus. “A forma como lidamos com a natureza precisa ser repensada para que as sociedades não fiquem sujeitas às consequências danosas de fenômenos como esses. Ao mesmo tempo, os governos precisam começar a pensar em planos de contingenciamento que ajudem os países a serem resilientes a situações cada vez mais danosas e intensas.”

 

Uma análise preliminar feita pelo climatologista Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, em parceria com o pesquisador Marcelo Seluchi, coordenador geral da área operacional do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), aponta que o longo período seco no centro-sul da América do Sul – incluindo Paraguai, Uruguai, sul do Brasil e centro-leste da Argentina –, nos primeiros meses do ano, com um mês de abril extremamente seco, pode ser uma das condicionantes climáticas por trás do comportamento dos gafanhotos.

 

 

Nuvem de gafanhotos em Córdoba, na Argentina em 24-6-2020

Foto: Governo da província de Córdoba /Fotos Públicas

 

 

“Chuvas intensas em alguns dias de maio, notadamente na região do Paraguai, onde se originou a nuvem de gafanhotos, podem explicar o fenômeno. Isto é, período curto de chuvas intensas após meses de secas”, diz o relatório dos dois especialistas. A forte onda de calor entre 14 e 20 de junho no sul do Paraguai (suposto epicentro do fenômeno) associada a temperaturas superiores a 7º C acima das normais climatológicas também é indicada como possível catalisador.

 

De acordo com os cientistas, o gafanhoto costuma ter comportamento solitário, sem muito contato com outros da espécie. Entretanto, esses sinais climáticos deflagram um gatilho biológico chamado de comportamento gregário, no qual gafanhotos se associam e iniciam os enxames, com altas taxas de reprodução.

 

 

A previsão de entrada de uma frente fria na região poderá influenciar a migração dos gafanhotos para leste, atingindo o sul do Brasil, principalmente o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e também pode inibir as taxas de reprodução do inseto, o que ocorre em ciclos de temperaturas baixas.

 

 

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já doou mais de R$ 80 milhões para mais de 1.600 iniciativas dedicadas à causa da conservação em todo o País. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera.

 

Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.

 

Sobre a Rede de Especialistas

Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br

 

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