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Por que a umidade relativa do ar fica baixa?

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5 min de leitura

Foto: Nathalia Castro - São Paulo - SP 

 

Você já deve ter sentido algum desconforto em dias secos e quentes quando percebeu ou acompanhou o noticiário e o aviso para baixa umidade em sua cidade/região. Mas por que a umidade relativa do ar fica baixa?

 

A quantidade de vapor d'água que o ar é capaz de reter antes dele condensar (ou seja, se transformar em gotículas d'água e formar nuvens, nevoeiros ou chuva) depende da temperatura do próprio ar: quanto mais quente for, maior a quantidade de vapor d'água que o ar suporta sem condensar.

 

Quando o ar condensa e forma nevoeiro (aqui próximo à superfície) ou uma nuvem (em alturas mais elevadas), a umidade relativa do ar é 100%, pois ele já está saturado, ou seja, já tem todo o vapor d'água que pode conter naquela temperatura. Conforme o ar esquenta, sem a adição de mais vapor d'água, a quantidade de vapor que o ar comporta antes de condensar também aumenta e, portanto, a umidade relativa do ar cai. 

 

É exatamente este o caso da maior parte do país durante o inverno: com chuva rarefeita e  longos intervalos de estiagem, cada vez há menos vapor d'água disponível na atmosfera; com poucas nuvens, a temperatura do ar próximo à superfície se eleva e "aguenta" cada vez mais vapor d'água que, no entanto, não surge de lugar algum.

 

Assim, nos períodos mais quentes daqueles dias com pouca ou nenhuma nebulosidade a umidade relativa do ar "despenca".  

 

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Baixa umidade x poluição

 

Em ambientes com baixa umidade relativa do ar e alta incidência de luz solar, não só a dispersão de poluentes é dificultada, piorando a qualidade do ar, mas algumas substâncias químicas interagem com a luz do sol e se convertem em ozônio, um gás extremamente tóxico próximo à superfície e que agrava quadros de irritação na pele e nas mucosas.

 

Pessoas imunodeprimidas, geralmente as que fazem tratamento contra câncer, que se recuperam de cirurgias, etc, são bastante sensíveis aos efeitos nocivos do ozônio troposférico (este que se forma aqui perto da superfície, por causa da poluição e da luz do sol em ambientes secos, não o ozônio estratosférico, há vários quilômetros de altura, que nos protege da radiação solar). 

 

Para se precaver dos efeitos nocivos à saúde provocados pela baixa umidade relativa do ar é necessário se hidratar bem, através da ingestão de líquidos, principalmente ao praticar exercícios físicos a céu aberto. É interessante umidificar os olhos com colírios umectantes, sobretudo se estiver usando lentes de contato. Usar umectantes labiais também ajuda. Também é aconselhável evitar se expor a ambientes assim tão secos, sobretudo para pessoas imunodeprimidas ou com histórico de complicações respiratórias.  

 

Ambientes fechados requer cuidados  

 

Também é interessante aumentar a ventilação dos ambientes fechados, para dificultar a transmissão de patógenos por via aérea. Há aparelhos umidificadores de ar, que se usados adequadamente, conforme as instruções de fábrica, também deixam um ambiente fechado mais confortável e relativamente mais "seguro".

 

No entanto, é bom evitar a disposição de recipientes com água pela casa, especialmente próximo a tecidos e espumas (como colchões e travesseiros), porque conforme ocorre o entardecer e a noite avança, as temperaturas frequentemente declinam rapidamente e, então, a umidade do ar se eleva.

 

Com fontes de água líquida por perto, em ambientes fechados, rapidamente a umidade relativa do ar naquele local fica próxima ao ponto de saturação, o que favorece a dispersão de fungos e bolores, cujos prejuízos à saúde são tão ou mais severos do que os causados pelo ar mais seco.  Em casos de desidratação mais severos, auxílio médico pode ser necessário. 

 

Por Leandro Bellato, meteorologista 

 

Veja também: O impacto da baixa umidade do ar na saúde da população

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